O Facebook tem a grande vantagem de nos ligar ao resto do Mundo, redescobrirmos amigos de há anos, conseguirmos um trabalho de sonho ou, simplesmente, fazer-nos passar tempo.
Mas o FB também desperta em mim uma enorme angústia. Sempre que lá vou, encontro milhentas fotos desses amigos (que muitos, já são conhecidos) em festas, a divertirem-se, cheios de energia e sempre na mais pura diversão, e penso: "Mas o que está errado comigo? Será que sou uma anti-social por só ter tempo para me encontrar com os meus verdadeiros amigos de mês a mês (se tanto)? Serão eles também anti-sociais por padecerem do mesmo tempo? Porque é que também não sou "gira", divertida, cheia de energia para dar e vender? E porque raio é que não consigo ver os meus amigos mais próximos com muito mais frequência? Serei assim tão desinteressante?".
Sei que estes pensamentos não são resultado de qualquer falta de auto-estima (pois a minha, apesar de não ser alta, também não está de rastos), nem qualquer falta de amor próprio, nem tão pouco, de invejas ou ciúmes das vidas dos outros.
É simplesmente por achar que me começo a tornar velha muito mais cedo do que desejaria. Gostava de gozar os finais de tarde juntos dos meus amigos, partilhar o meu dia a dia com eles muito mais frequentemente, e saber que poderia contar com o seu consolo (fisicamente) quando me sinto mal ou bem. Isto porque, os telefonemas estreitam relações e mantêm-nos unidos, mas não substituem um abraço caloroso e cúmplice entre amigos. Nem substituem um sorriso que transmite paz e a confiança de que ultrapassaremos tudo. Porque a amizade é isso.
Gostava de dizer que me comprometo a estreitar essas relações mas, infelizmente, isso não depende só de mim. Se há coisa que esta vida de "trabalhadeira" me roubou, foi isto. A proximidade com os amigos que tanto prezo.
Perdoem-me o desabafo, mas é para isso que este cantinho existe. E pronto, é tudo por hoje.
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