Há dias, estava eu sentada num centro comercial, reparei numa senhora que estava sentada muito perto de mim.
Uma senhora muito bonita, dos seus 55/60 anos, muito elegante, bem penteada, bem arranjada.
Tinha à sua frente um embrulho, muito bem feito, muito bonito, que ela admirava e retocava o laço vezes sem conta. Sempre a observá-lo, talvez imaginando a cara da pessoa que o fosse abrir. Ela sorria e retocava o laço, sorria e retocava o laço. Este ritual demorou uns bons 20 minutos.
E eis que surge o "Senhor" ao fundo do corredor. Os olhos dela iluminaram-se! Viu-se claramente que estava apaixonada, que estava ansiosa de lhe entregar o embrulho. E foi a primeira coisa que ela fez. Estendeu-lhe o dito com um olhar de criança na expectativa.
Ele olhou para ele, tomou o embrulho, e abriu-o indiferente. Nem um obrigado lhe disse. Só respondeu: "Sim senhor, que embrulho tão bonito". Mas não disse mais nada. Tão rápido o abriu como o meteu dentro do saco e desviou logo o olhar para ver onde iria almoçar.
E a senhora foi ao lado dele, calada, olhando para o chão. E eu reparei que não era essa reacção que ela esperava...mas ele não reparou. Identifiquei-me, tal como tantas.
Eles raramente reparam. Muito poucas vezes reparam nos pequenos gestos que temos. Por vezes não sabem ser gratos. Muitas vezes não sabem usar as palavras certas.
Mas é por isso que somos tão diferentes, "nós" e "eles". E é por isso que não conseguimos viver um sem o outro. E é por isso que nos amamos, mesmo apesar de não sabermos comunicar da melhor forma. Há que saber não baixar a cabeça. Há que saber comunicar. Há que saber mostrar o contentamento e também o descontentamento.
Tudo corre tão, mas tão melhor!
Comunicar é preciso!
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